Desporto universal e gratuito
Entrevista a José Paulo Gonçalves – CDU

Quatro Linhas - Defina, em traços gerais, as linhas orientadoras da política desportiva para o mandato…
José Paulo Gonçalves - Preocupam-nos muito as políticas propagandísticas dos sucessivos governos em relação ao desporto juvenil e amador. Enche-se a boca de juventude, oportunidades e disponibilidades, mas tudo isto é uma mentira vergonhosa. Promove-se o futebol até à alienação, quando há muitas modalidades, que têm dado glórias a Portugal e são esquecidas.
No entanto, há milhares de jovens que não têm aptidões para a prática do dito futebol, mas são capazes de brilhar e realizar-se nas outras actividades, muitas delas esquecidas ou secundarizadas.
A culpa também é muitas vezes do poder local, que não as promove e não supre a falta de infra estruturas. Daqui resulta a condenação de um sector largo dos cidadãos à inactividade desportiva.
Q.L. – Que apoios ao desporto profissional? Que apoio à construção do novo campo do FC Paços de Ferreira?
J.P.G. - A CDU tudo fará para que o desporto seja universal e gratuito para todas as populações, criando infra estruturas abrangentes e condições para monitores e outros técnicos desportivos em todas as modalidades, para bem da saúde pública e desenvolvimento do desporto de massas, não alienatório mas saudável.
Os sucessivos governos têm responsabilizado e entregue encargos ás autarquias, sem lhes transmitir as verbas ou contrapartidas para sustentar as despesas daí inerentes. Por isso é muito difícil às autarquias prometerem investimentos de vulto que não poderão financiar. É demagogia, imoral e incorrecto, andar a prometer em campanha para ganharem votos, quando não podem cumprir. A CDU tudo fará para auxiliar, não pondo em perigo ou faltando ao cumprimento do necessário e urgente.
Q.L. – Que apoios ao desporto amador?
J.P.G. - Toda a política autárquica deve assentar em três factores: desporto, cultura e equilíbrio social. Não são só gabinetes burocráticos e partidarizados, que rotulam pessoas capazes e únicas da dinâmica, promoção e valorização do desporto, aproximação e não complexidades de elites, muitas vezes medíocres, e que não vão longe, mas alimentam o ego de alguns desportistas de meia tigela, que ocupam lugares numa escala de valores adulterada. Não teremos dúvidas em tratar todos de igual maneira, proporcionalmente, em termos económicos e técnicos, dentro da possibilidade e dos meios, hoje os recursos são poucos e as promessas têm e devem ser cumpridas com rigor.
Q.L. – Os Jogos Concelhios irão continuar? Introduziria alterações? Quais?
J.P.G. - Em coordenação com outras instituições, desde industriais, culturais, etc., fora do domínio da profissionalização, há lugar para campeonatos concelhios, torneios, secções, para defrontar outros concelhos, etc., acarinhando e incentivando os atletas pelo gosto da vitória, da competição sadia, mas com a humildade de saber perder e reconhecer o valor dos outros, não esquecendo os deficientes que têm sido esquecidos.
Q.L. – A empresa municipal deverá continuar a promover o desporto, através do Clube Gespaços? Que alterações promoverá?
J.P.G. - A Gespaços tem contribuído fortemente para a promoção da natação, assim como o acesso à natação a camadas populacionais que não teriam outra oportunidade. A Câmara deve apoiá-la, geri-la sem fins lucrativos, apenas estar ao serviço do povo, mantendo a sua função específica de serviço público.
Q.L. – As camadas jovens do FC Paços de Ferreira e do SC Freamunde têm um tratamento pela Câmara Municipal diferente das camadas jovens dos outros clubes. Vai continuar esse tratamento diferenciado? Porquê?
J.P.G. - As camadas jovens do F.C. Paços de Ferrreira e do Freamunde têm um lugar de destaque no concelho e devem ser apoiadas, porque a juventude é o futuro do país, embora a exorbitância em despesas monetárias seja ofensiva da dignidade humana. Não é bem o caso destes dois clubes honoríficos do concelho, mas sim do sistema que envolve muito dinheiro, corrupção e injustiças, o que não dignifica o desporto.


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