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Notas de uma campanha

Autor: em Terça-feira, 6 Outubro 20091 Comentário

Fora das Quatro Linhas

1. Dado o momento que se vive, não podia deixar de exarar aqui algumas notas sobre a forma como tenho visto/lido a campanha eleitoral para as autárquicas.

2. O nível da campanha tem-se mantido em parâmetros  aceitáveis, que muito dignificam a democracia, apesar de alguns receios em contrário.
É certo que o PS “carregou” um pouco mais do que era habitual sobre a área social-democrata, mas não era nada que não fosse previsível, considerando a participação do M6N nas listas socialistas, actuando mais em força do que em jeito, dada a maior agressividade dos seus agentes, ainda não polidos por uma prática política regular.

3. Esta maior dinâmica socialista teve um efeito positivo nas hostes social-democratas, que se reagruparam e se movimentaram mais intensamente. Muito interessante se apresenta a luta pela conquista da presidência de algumas juntas de freguesia, como é o caso emblemático de Figueiró, onde já se venceu e se perdeu por um voto. A social-democrata Orlanda Barros, que se rodeou de uma equipa jovem e dinâmica, protagonizará com o socialista Luís Silva, actual presidente, um dos duelos mais interessantes destas autárquicas.
Já no duelo para a presidência da Câmara – o mais importante – o favoritismo pende claramente para o actual presidente, Pedro Pinto, que tem obra feita,  visão política,  sentido estratégico e sentido de estado.
O candidato apresentado pelos socialistas, Humberto Brito, teve o seu ponto alto na questão da água, tema actualmente em refluxo pelo contra-ataque de Pedro Pinto com as ligações dos ramais a custo zero e a devolução dos pagamentos.

4. No momento em que escrevo apenas conheço o programa de Pedro Pinto e da sua equipa à Câmara Municipal, já que os outros candidatos se têm limitado a esclarecer alguns aspectos fragmentários dos seus programas em entrevistas na comunicação social e em intervenções públicas relatadas parcialmente nos jpedro_pintoornais.
A candidatura socialista apenas tem publicado no seu portal oficial o programa para os sectores da economia e da educação.
Creio ser uma grave falha da candidatura socialista, que se pretende da alternativa e da mudança.

5. O programa de Pedro Pinto assenta num profundo conhecimento da realidade concelhia e numa visão estratégica do concelho assente na educação e na economia, e numa perspectiva social humanista.
Esse programa, apresentado inicialmente numa forma bastante perceptível – 48 medidas para 48 meses – foi posteriormente mais elaborado e apresentado publicamente, abrangendo todos os sectores da vida autárquica: desporto, ambiente, comunicações, etc., para além dos já referidos.

6. A sua equipa é traquejada nos assuntos autárquicos, e aqui deixo uma menção especial a António Coelho, pelo conhecimento directo que do seu trabalho tive nos dois últimos anos, pelo seu sentido estratégico de desenvolvimento do desporto, traduzido em decisões políticas de largo alcance para o futuro do desporto concelhio.

7. O debate político entre as candidaturas tem sido diminuído pela recusa de Humberto Brito em participar em alguns debates directos com Pedro Pinto. O pretexto invocado inicialmente – a não comparência de Pedro Pinto para um debate sobre questões relacionadas com familiares de Humberto Brito, que este propôs, mas não formalizou…nem reservou espaço – parece-me improcedente, assim como os avançados posteriormente não me pareceram razoáveis. Que me perdoe Humberto Brito se o meu juízo não estiver certo, mas fiquei com a ideia que ele temeu o confronto directo com Pedro Pinto.

8. Humberto Brito não foi feliz em alguns ataques dirigidos a personalidades do PSD, para além de Pedro Pinto que foi o bombo da festa, nomeadamente a José Bastos. Este médico tem desenvolvido uma actividade muito empenhada e de generalizado apreço social, e, como político, nunca deixou de promover diligências junto das instâncias oficiais para a resolução dos problemas que afectam o sector da saúde no concelho, nomeadamente da falta de médicos de família, que, como se sabe, compete ao ministério da Saúde resolver.
A mera titularidade de uma clínica não permite determinadas insinuações, como também seria injusto insinuar responsabilidades pelo estado da justiça no concelho, a partir da simples titularidade de um escritório de advocacia…

9. Os resultados das legislativas, que deram uma ampla vitória no concelho ao Partido Socialista, não devem ser extrapolados, mecanicamente, para as eleições autárquicas, que, com se sabe, têm características muito especiais.
Neste domínio queria chamar a atenção para o cuidado que Pedro Pinto e as suas equipas tiveram em não se pronunciarem publicamente contra Sócrates e o seu Governo, durante a campanha para as legislativas, o que terá, em alguma medida influenciado os resultados.
A verdade é que Pedro Pinto desenvolveu, ao longo dos anos, uma política de boas relações com José Sócrates e com o governo apoiado pelo partido socialista ( motivo de enormes ciumeiras dos socialistas locais…. na altura), que trouxe variados benefícios ao concelho, pelo que não se compreenderia comportamento diverso.
Este bom relacionamento deu excelentes frutos, entre outros casos, na construção dos centros escolares, que, assim são um bom exemplo do sentido de estado de Pedro Pinto e José Sócrates, pelo que a reivindicação de exclusivismo baixa a discussão para o nível paroquial e talvez queira fazer esquecer o voto negativo socialista na aprovação da Carta Educativa.

1 Comentário »

  • Sr. Gato escreveu:

    Concordo genericamente com as notas.
    Discordo da análise ao comportamento do vereador António Coelho e penso também que o curto lapso temporal entre legislativas e autárquicas tem seguramente reflexo no sentido de voto.

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