Basquetebol

Futebol

Futsal

Hóquei Patins

Voleibol

Home » Fora das Quatro Linhas

Notas do meu Diário

Autor: em Terça-feira, 3 Novembro 2009Sem Comentários

Fora das quatro linhasDr. Alvaro Neto

Abertura democrática?

O discurso de Pedro Pinto, proferido no acto da tomada de posse do executivo municipal e dos membros da assembleia municipal, indicia, naturalmente, uma linha de continuidade da política autárquica social – democrata, mas introduziu um elemento novo que merece ser ponderado.
Trata-se da possibilidade –  admitida por Pedro Pinto – de uma “abertura democrática”, que, na sua formulação genérica, pode ser muita coisa ou coisa nenhuma.
Ainda que muito indefinida, parece-me que esta abertura deverá constituir, para já, motivo de atenção, para se avaliar se é real, porque assente em medidas ou passos concreto, ou se, pelo contrário, não passa de simples flor de retórica, que sempre fica bem a ornamentar qualquer oratória.
Essa abertura poderá assumir a forma mais elevada, qual seja a da atribuição de pelouros aos vereadores da minoria socialista, a exemplo de outros municípios e, mesmo de executivos pacenses anteriores.
Se bem me recordo, o vereador Artur Ferreira, então representante socialista num executivo liderado por Arménio Pereira, assumiu, pelo menos, a pasta do trânsito, durante o mandato de 1989 a 1993.
Não me parece que seja esta a disposição de Pedro Pinto, não só pelo clima crispado em que decorreu a campanha eleitoral e todo o processo contestatário da água –  factor determinante da subida eleitoral dos socialistas e dos seus “compagnons de route” do M6N- mas também porque não se verificaram, até ao presente, quaisquer passos concretos nesse sentido.
Afastada esta hipótese, restará  ver, se, e em que medida, essa abertura, assumirá o acolhimento de algumas propostas da lista de Humberto Brito no programa do executivo, que em breve assumirá forma com a apresentação, e posterior discussão e aprovação dos documentos orientadores da gestão municipal – o orçamento e o plano de actividades para 2010.
Então se poderá começar a fazer a avaliação política dessa anunciada abertura democrática.

Gostava de ter escrito isto

Que acontece quando se esfumam todos os sonhos de perfeição pessoal e social? Quando o ser humano não aspira a superar o seu egoísmo, a melhorar em termos morais, a criar uma comunidade que premeie o mérito e a virtude? Quando não há  ideais, para onde se dirige o impulso humano? Apenas para o poder e para o dinheiro. O poder transforma-se num fim em si próprio. Quem não avança em direcção ao bem avança para o poder. Em todos os campos: política, finanças, magistratura, meio universitário, televisão. Deixa de ter importância o que se faz e como, por haver a ideia de que o poder e o dinheiro permitem corromper as almas.
Francesco Alberoni, i, 3 de Novembro

A minha homenagem

Havia um problema com os horários da catequese e do futebol aos sábados e domingos de manhã. Zanguei-me com um certo fundamentalismo catequístico, que não cedia nos seus privilégios, não se importando que os putos não pudessem praticar desporto, e num texto jornalístico pus um puto a dizer para a catequista:
“Olhe que o meu treinador disse que se pode ser catequista e inteligente ao mesmo tempo.”
O padre leu e os putos passaram a ter catequese e a jogar futebol.
Quando passava por mim, sorria…
Anos mais tarde, apareci, por clara inadvertência, a participar num baptizado.
Pensava que bastava testemunhar o acto. Como era necessário assumir compromissos de educação religiosa, é  óbvio que não os assumi na cerimónia.
O padre compreendeu, a cerimónia prosseguiu, sem que alguém se apercebesse da anormalidade que ali acontecia, e a criança ficou apenas com a madrinha.
Só na sacristia é que se notou, quando não assinei o assento.
A criança – hoje, já  mulher – é feliz e não deixará de ir para o céu, por falta de padrinho.
E o padre, quando se cruzava comigo, gracejava sempre.
Era um homem inteligente e bom.
Até sempre, Mário Barbosa!

Caim e os cromos

A propósito da apresentação do seu último livro, Saramago fez afirmações provocatórias acerca da Bíblia, que tiveram o condão de nos dar a conhecer algumas personalidades, até então desconhecidas do grande público, e que passarão, doravante a enriquecer a galeria dos imorredoiros cromos nacionais, da estirpe do deputado truca/truca e do bokassa das ilhas.
Estranho que o ateu Saramago se preocupe tanto com uma inexistência e neste aspecto não deixo de concordar com os reparos dos crentes.
Sempre entendi que a Bíblia não pode ser entendida no sentido literal e que encerra princípios comuns a crentes e descrentes.
Quanto ao livro: Caim está muito bem escrito, lê-se muito bem, é de leitura estimulante e faz pensar.
(Não é) palavra do Senhor.

Comentar