O que às vezes parece… não é
À minha maneira
Depois da pré-época realizada, muitos esperariam que o Benfica impusesse perante o Porto, na final da Supertaça, uma superioridade evidente, consentânea com a qualidade que tinha demonstrado na maior parte dos jogos efectuados. Tal não se verificou devido a dois factores principais. O primeiro é que os jogos realizados pelo Benfica e os torneios conquistados, terão colocado os jogadores com uma auto-estima, talvez grande de mais, preocupando-se principalmente consigo mesmo e desvalorizando um pouco o adversário. A segunda é que o treinador Vilas Boas, não se terá importado muito com isso e preparou a sua equipa estudando o adversário ao pormenor, surpreendendo, na minha opinião, Jorge Jesus, em alguns aspectos tácticos importantes. Em primeiro lugar, jogou com o meio campo muito subido, evitando a primeira construção de jogo dos encarnados, pressionando muito o homem da bola e fazendo consequentemente que os jogadores da Luz perdessem muitos passes e depois e em segundo, colocando três homens que penso, poderão ser neste campeonato, a grande linha avançada do F.C. Porto, ou seja, dois homens muito rápidos nas alas, no um contra um, (Hulk e Varela) e depois bem no eixo, o oportuno Falcão, que tem um sentido de posicionamento na área invejável. Não quero com esta apreciação desvalorizar a qualidade do futebol do Benfica, mas antes alertar para um campeonato, que este ano poderá ter mais intervenientes na sua disputa e que obrigará todos eles a um afinco suplementar. Penso mesmo que poderá sair vencedor aquele que estiver menos fustigado pelas provas européias e que tiver um plantel mais abrangente e assim poder ser gerido com a arte e engenho necessários para estar a cem por cento em todos os jogos. Visto assim a olho nu, ressalta o favoritismo destes dois conjuntos na abordagem a este campeonato, mas fico à espera que Sporting, Braga e até outros, porque não, surpreendam pela positiva e ajudem a complicar as contas de quem tenta ser objectivo nas análises efectuadas. Voltando ainda um pouco atrás, parece que há ainda algumas arestas para limar no plantel da Luz, como por exemplo, definir a posição de Fábio Coentrão, decidir quem ocupará a vaga deixada por Ramirez e obrigar a que Cardoso seja um jogador mais constante, participativo e influente no ataque, sem esquecer que Maxi Lopes está a fazer muita falta ao lado direito da defesa. Para terminar esta apreciação ao Benfica, também penso que é importante que o plantel seja definido quanto antes e que parem estas notícias de entradas e saídas constantes que em nada abonam a estabilidade do grupo.
Falando agora um pouco do Paços de Ferreira, penso que também em certa medida, não se deverá levar à letra os resultados obtidos na pré-época. Se por um lado é importante vencer, mesmo em jogos que não valem pontos, por outro também é muito importante nesta fase, que o treinador tenha um conhecimento exaustivo de todos os jogadores, para saber a cada momento quem poderá jogar, onde o poderá fazer e o que cada jogador acrescenta em qualidade técnica e táctica ao grupo. Numa primeira análise, parece que o técnico Rui Vitória, se preocupou muito e bem, em definir o tipo de jogo que pretende para a sua equipa e principalmente tornar a equipa bem organizada em campo, com cada jogador a saber qual a sua missão. Depois também me pareceu até agora que tem tido um discurso bastante coerente, isto é, valoriza as vitórias, mas chama sempre a atenção para o que de muito há a fazer ainda e que todas essas vitórias não servem para colocar os jogadores em bicos de pés. Parece conhecer plenamente as lacunas do plantel e não terá sido muito feliz no que a lesões diz respeito, pois há jogadores que na minha opinião poderão ser muito importantes esta época e que ainda não puderam ser trabalhados convenientemente, como são por exemplo os casos de Bruno di Paula e Maikon, já que no caso de David Simão é diferente pelo facto de ser já sobejamente conhecidas as qualidades deste jogador para o técnico Pacense.
O campeonato vai arrancar e logo com a visita do Sporting à Mata Real, curiosa sem dúvida, não só por ser um candidato, mas também por ser Paulo Sérgio a comandar, ele que deve sem dúvida, muito agradecer ao Paços a actual posição que ocupa no futebol português. Espero que tenha muito sucesso, mas que esse só comece a partir da segunda jornada…


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