Rui Neto – SC Freamunde – Temos a melhor formação do Vale do Sousa
O departamento juvenil do Sport Clube de Freamunde teve uma temporada 2009/10 de grande nível, alcançando resultados fantásticos, com destaque natural para a subida de divisão da equipa de juniores, que ascendeu à primeira divisão nacional do respectivo escalão. O único aspecto negativo desta época foi a descida dos iniciados, mas esse facto em nada belisca a ideia de que o trabalho realizado caminha no bom sentido.
Rui Neto é a face visível desse trabalho, e demonstra um enorme orgulho dos resultados atingidos, descrevendo-os como o fruto do trabalho de uma equipa incansável.
O director do departamento juvenil não tem dúvidas em atribuír ao Freamunde o título de líder na formação de atletas no Vale do Sousa.
Quatro Linhas – Que balanço faz desta época, no que diz respeito às camadas jovens do Freamunde?
Rui Neto - Esta foi uma época bastante positiva. Apesar do precalço que foi a descida dos iniciados aos distritais, o ano foi muito bom porque todos os outros escalões superaram as expectativas.
Q.L. – Então os objectivos traçados foram atingidos?
R.N. - Tal como referi, os iniciados não conseguiram a manutenção, e esse foi o único objectivo que não conseguimos atingir. De resto, conseguimos resultados acima do que tínhamos projectado.
Os juniores tiveram uma fantástica prestação, sagrando-se campeões nacionais da 2ª divisão, e subindo naturalmente à primeira.
Os juvenis superaram aquilo que era suposto, e alcançaram um patamar histórico para o clube, ao serem apurados para a segunda fase, ficando no segundo lugar, apenas atrás do Vitória de Guimarães.
Para além destes fantásticos resultados, tivemos ainda grandes prestações das duas equipas de infantis, que passaram às respectivas fases de apuramento de campeão, e também belas provas realizadas pelas equipas de escolas.
Tudo isto nos faz ficar orgulhosos, e com a ideia de que estamos a trabalhar com grande sucesso.
Q.L. – Quais os principais factores que contribuíram para este sucesso desportivo?
R.N. - O sucesso não é de agora, já tem muitos anos, e tem a ver com estabilidade, e com a dedicação de toda a gente. Nós aqui temos um grupo fantástico, quer a nível técnico, quer a nível directivo, e obviamente que a qualidade acaba por vir ao de cima. Tudo isto conjugado com a valia dos nossos atletas, torna possíveis os resultados que temos obtido, elevando-nos a patamares que de início não pensávamos serem possíveis.
Q.L. – Neste momento têm as condições de que necessitam?
R.N. - Nós temos muitos atletas, uma vez que temos duas equipas por escalão até aos juvenis, e uma nos juniores, e é claro que temos que gerir bem os espaços que temos disponíveis. É claro que as nossas condições agora são muito melhores do que há uns anos atrás, mas o crescimento do clube tem sido tal, que já existem situações gostaríamos de ver melhoradas. Os balneários começam a ser curtos, e exigem algum planeamento. O nosso sucesso tem trazido enorme crescimento, e convém que as estruturas acompanhem este desenvolvimento.
Q.L. – O principal objectivo do departamento juvenil é formar jogadores para a equipa sénior?
R.N. - O principal objectivo é formar homens. Por vezes somos um complemento à família dos jogadores, uma vez que também somos, em parte, responsáveis pela educação dos mesmos.
É claro que em termos desportivos ambicionamos colocar atletas na equipa profissional. Sabemos das dificuldades que existem, mas desejamos poder proporcionar aos nossos jogadores as condições necessárias para que venham a afirmar-se no plantel sénior.
Q.L. – Este ano irão haver jogadores promovidos aos seniores?
R.N. - Nós acreditamos que existem jogadores com condições para isso, mas neste momento ainda não sabemos o que vai acontecer, devido ao impasse criado pela ausência de direcção.
Essa indefinição está a prejudicar também as camadas jovens, e esperamos que tudo se resolva rapidamente.
Q.L. – Em termos de infantis, as equipas dominaram a primeira fase, mas não têm estado tão bem na segunda. Como se explica esse facto?
R.N. - A primeira fase dos sub-13 foi boa, mas a segunda nem por isso. Agora estamos a competir com os melhores, e estamos a avaliar os atletas para perceber como reagem às adversidades. Os resultados não têm aparecido, mas os miúdos têm estado bem, perdendo algumas partidas por manifesta infelicidade.
Os sub-12 dominaram totalmente a primeira fase, embora até fossem mais novos que os adversários, e, apesar de não estarem a vencer muitos jogos, também têm jogado muito bem contra equipas mais fortes fisicamente devido à idade.
Q.L. – Os sub-12 participaram numa série só com equipas do concelho. O que pensa dessa iniciativa?
R.N. - A criação desta série foi uma ideia positiva, mas a nossa equipa era demasiado forte.
Q.L. – Como se processa o vosso recrutamento?
R.N. - Tendo em conta a dimensão que atingimos, o Freamunde já não precisa de procurar muitos jogadores, porque eles acabam por cá vir ter. No que diz respeito aos mais novos, não é muito difícil arranjar jogadores porque temos excelentes condições, fazemos um bom trabalho, e os pais acabam por trazer cá os atletas. A partir de determinados escalões, procuramos jogadores para colmatar eventuais lacunas. Essa procura é realizada pelo nosso gabinete técnico, e temos já vários jogadores oriundos de vários concelhos longe do nosso.
Q.L. – Os Jogos Concelhios tiveram alguma influência o vosso recrutamento?
R.N. - Tiveram muita influência, principalmente naquela primeira edição. O nosso gabinete técnico está de parabéns porque fez um trabalho fantástico no que diz respeito ao levantamento de atletas, prospecção e contactos, que nos fez reunir uma excelente base de dados que nos faz encarar o futuro com muito optimismo. Nesse aspecto os Jogos Concelhios foram importantes, e nós soubemos aproveitar.
Q.L. – Neste momento faz sentido colocar-lhe a questão acerca dos objectivos para a próxima época?
R.N. - Pois… Neste momento, com a indefinição que nos rodeia, não é fácil responder a essa pergunta. No entanto, o que posso fazer é dizer-lhe o que entendemos que deve ser o rumo do clube. Seja connosco ou com outras pessoas, defendemos que o que se deve fazer é continuar o projecto que temos desenvolvido, crescendo sempre mais.
A nível de camadas jovens o clube tem evoluído imenso, tal como os resultados demonstram, e isso prova que estamos a trabalhar bem. O que se deve fazer é continuar a manter uma estrutura forte e solidária, dando todo o apoio necessário a atletas e treinadores.
Q.L. – Em jeito de provocação, se houvesse um ranking das camadas jovens dos clubes do Vale do Sousa, onde estaria colocado o Freamunde?
R.N. - Para ser totalmente sincero, acho que somos, há já alguns anos, os líderes do Vale do Sousa.
Aproveito ainda para agradecer a todos os que nos têm apoiado. Refiro-me a toda a estrutura que nos acompanha, uma vez que trabalho com pessoas fantásticas, aos patrocinadores, mas especialmente às nossas famílias, que são por vezes prejudicadas em termos de disponibilidade, e que também são parte do nosso sucesso.


Comentar