Um ano acima de todas as expectativas na natação
Terminou mais uma época na natação, e pode dizer-se que a Gespaços teve uma temporada excelente, e bem acima das expectativas.
A evolução de alguns nadadores tem sido fantástica, e os resultados têm aparecido prova atrás de prova. As medalhas vão-se sucedendo, os recordes vão caindo, e salta à vista o enorme talento de alguns nadadores, como Ruben Nunes, João Sousa, Nuno Alves, António Bessa, Paulo Dias, Diana Ferreira e Sara Meireles, que têm acumulado triunfos e prestígio por onde quer que passem. Para além destes, o treinador Rodolfo Nunes destaca outros atletas que tiveram um ano muito positivo, só possível à custa de muito trabalho, dedicação e espírito de sacrifício.
Os resultados alcançados esta época são o espelho do crescimento e da evolução da Gespaços como clube, deixando antever um futuro recheado de bons resultados.
Quatro Linhas – Como avalia a época que agora termina?
Rodolfo Nunes - Esta época foi excelente! Conseguimos quase tudo a que nos propusemos, e ainda alcançamos resultados que não esperávamos.
Q.L. – Então todos os objectivos foram alcançados?
R.N. - Os resultados transcenderam os nossos objectivos, uma vez que alcançamos duas subidas à segunda divisão, em masculinos e femininos, e melhoramos os nossos resultados em termos qualitativos e quantitativos. Batemos vários recordes, conquistamos imensas medalhas, tivemos alguns nadadores a evoluírem para além do esperado, e outros a corresponderem às nossas expectativas, o que fez deste um ano especial.
Q.L. – E o que ficou por atingir?
R.N. - Existiram algumas coisas que não foram exactamente como esperávamos no início, e outras que não foram perfeitas apenas pelo facto de querermos sempre mais.
O único objectivo definido no início da temporada que não foi atingido, foi o facto de não termos colocado qualquer atleta no Campeonato Europeu de Juniores. Isto deveu-se, na minha opinião, ao facto dos mínimos terem baixado, porque os fatos deixaram de ser permitidos, e também à falta de crença de alguns atletas, que acabaram por ser prejudicados por não acreditarem neles próprios.
Para além disso, lamentamos o facto de não termos sido campeões da II Divisão em femininos , apesar de termos garantido a subida de divisão. Aí devo assumir as minhas responsabilidades, e reconhecer que se deveu a uma alteração que devia ter feito e não fiz. Escolhi uma atleta porque tinha o melhor tempo, embora soubesse que era muito irregular, e devia ter escolhido outra que, provavelmente, me daria mais garantias.
Embora não fosse um objectivo inicial, uma vez que apenas surgiu a partir do meio da época, gostava também que tivéssemos batido o recorde nacional de infantis em 200 bruços femininos, mas a nadadora acabou por se distrair com coisas externas à modalidade.
Acrescento ainda que teria sido justo a Sara Meireles sagrar-se campeã nacional, mas acabou por não o conseguir, conquistando quatro medalhas de prata e uma de bronze. Isto tem uma explicação muito simples, já que se deve apenas ao facto da concorrência ter sido muito forte este ano. Não é frustrante, mas fica a ideia de que poderia ter sido ainda melhor.
Q.L. – Quem foi para si o MVP da temporada?
R.N. - Não é fácil escolher, mas destacaria dois nadadores: o Nuno Alves e o Rúben Nunes.
O primeiro porque apareceu tarde e acabou por se transcender, tornando-se num dos grandes nadadores nacionais. Nos últimos dois anos tem vivido momentos que não julgava possíveis, competindo mesmo com alguns dos seus ídolos. Quanto ao Ruben, merece destaque por tudo e mais alguma coisa porque é um nadador extraordinário, com resultados fantásticos. Tem um espírito de sacrifício impressionante, e ouve tudo o que lhe tentamos passar. Convenhamos que ter vários recordes regionais, ser campeão nacional e atingir uma final A num Open não é fácil.
Em termos femininos, quero enaltecer o trabalho da Diana, sobre quem pairavam muitas dúvidas, e que, apesar das lesões, mostrou muita garra e determinação, acabando por dar à Gespaços o primeiro pódio em absolutos do seu historial. A Diana é para nós grande motivo de orgulho, sendo sempre muito regular ao longo da época. No entanto, foi em Coimbra que culminou a sua brilhante temporada, com 10 recordes do Clube em 16 provas, assumindo-se como uma nadadora de topo nacional.
Q.L. – Como é que é vista a Gespaços, quando comparada com clubes históricos da natação?
R.N. - Confesso que sempre fomos vistos um pouco como uma equipa do interior, sem grandes pergaminhos, e em quem ninguém acreditava. No entanto, nestes nacionais já nos vieram dar os parabéns pelos resultados que alcançamos. Pareceu-me mesmo que não percebiam como é que tínhamos chegado a este nível em tão pouco tempo.
Tenho pena é que a nível local não nos atribuam o valor que merecemos. As pessoas não têm a sensibilidade necessária para perceber a importância da natação de alta competição.
Q.L. – Quais são as principais dificuldades que enfrenta?
R.N. - O que me falta neste momento é uma piscina de 50 metros. A nossa tem 25, mas seria importante para os nossos atletas poderem treinar noutras condições. Tentei arranjar soluções alternativas, mas, por questões burocráticas, acabaram por não se concretizar a tempo.
Q.L. – Quais os benefícios de treinar numa piscina de 50 metros?
R.N. - Para começar, essa possibilidade colocaria os nossos nadadores em igualdade de circunstâncias com os seus adversários. Depois, esse facto iria aumentar a sua confiança, permitindo que os resultados melhorassem.
Veremos o que nos reserva o futuro.
Q.L. – Como se está a processar a captação de novos atletas?
R.N. - Este não foi o melhor ano para captações, e devo dizer que isso se deve ao facto das AECS (actividades extracurriculares) terem deixado de funcionar. As escolas deixaram de ir à piscina, e isso diminuiu imenso a nossa possibilidade de captação de novos atletas. Temos tentado colmatar isto com as piscinas de Freamunde e as aulas, mas o funcionamento do sector não tem sido o melhor.
Para além disso, o alarmismo criado à volta da Gripe A afastou um pouco as pessoas da piscina.
Q.L. – E em termos dos mais velhos, o que têm feito para assegurar a continuidade da evolução dos atletas?
R.N. - Neste momento, a Gespaços proporciona aos atletas uma evolução constante, e para o ano teremos vários atletas no escalão sénior.
É claro que nem tudo depende de nós, e alguns atletas vão desistindo por falta de motivação. Até porque me parece que alguns iniciaram esta actividade mais pelo aspecto social do que pelo desportivo.
Felizmente, temos outros casos que contradizem este facto. Dou o exemplo de um nadador nosso que é piloto de aviação comercial, o Carlos Costa, que pela sua profissão tem muitas dificuldades para treinar aqui. No entanto, esteja onde estiver, procura sempre uma piscina para treinar. Já me ligou da Madeira, de Bruxelas, de Paris, e até mesmo do Brasil, apenas para me perguntar o que devia fazer. É claramente um daqueles exemplos que nos fazem sentir bem com o que fazemos.
Q.L. – E quanto ao futuro, quais são os objectivos?
R.N. - Para a próxima época, se continuar na Gespaços, os objectivos principais passam por manter as nossas equipas na segunda divisão, o que será, por si só, uma grande vitória para a Gespaços, e colocar um atleta no Campeonato Europeu de Juniores



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