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Voleibol – Entrevista a José Bessa

Autor: em Quarta-feira, 10 Março 2010Sem Comentários

Apesar dos bons resultados

O Voleibol não tem o apoio que merece dentro do clube

Depois do título nacional de iniciadas conquistado no ano passado, as várias equipas do Juventude Pacense continuam a obter excelentes resultados, conseguindo de forma natural atingir os vários objectivos. Com várias equipas já apuradas para os nacionais, existe a esperança de que se possa repetir o feito do ano anterior, trazendo para Paços de Ferreira mais um título nacional da modalidade.
No entanto, tal como já havia ficado claro numa entrevista a José Bessa, realizada no ano de 2009, a relação do coordenador da secção com a direcção do clube não é a ideal, e os apoios ao voleibol não são, segundo o técnico, os mais adequados e merecidos. Em entrevista ao Quatro Linhas, José Bessa mostrou-se desiludido com a falta de apoios a uma modalidade que tem projectado o clube a nível nacional.

Os sucessos desportivos

Quatro Linhas – Depois de um enorme êxito na época anterior, com as iniciadas a sagrarem-se campeãs nacionais, como é que está a correr esta temporada?
José Bessa –
A época em si está a correr bem, com essa equipa a jogar agora no escalão de juvenis, e com os resultados esperados. No geral, tivemos que fazer algumas alterações e reajustamentos em termos de equipas técnicas, e, embora em infantis e iniciadas as equipas sejam um pouco mais fracas que nos anos anteriores, devido a alguma inexperiência, estamos a alcançar excelentes resultados.
O grande destaque vai mesmo para a equipa de infantis masculinos, que conseguiu qualificar-se para os nacionais, embora poucos acreditassem. O treinador é novo, o João Matos, e tem a companhia da João, estando a realizar um excelente trabalho. Estou muito feliz pelo que estão a conseguir, porque foi uma aposta minha e dos treinadores, contra tudo e contra todos.

Q.L. – Os objectivos estão todos a ser cumpridos?
J.B. –
Sim, podemos dizer que sim. Embora as iniciadas não se tenham apurado para o nacional, conseguiram atingir aquilo que esperávamos.
As seniores, a dez jornadas do final do campeonato, já alcançaram a manutenção, ocupando agora o quinto lugar com os mesmos pontos que o Vitória de Guimarães, numa equipa constituída apenas por atletas da casa, e cheia de jogadoras juniores e uma juvenil.
As juniores, depois de terem ficado perto da vitória no nacional na época passada, estão novamente apuradas para disputar esta prova, e com boas perspectivas. Se a equipa se unir e ultrapassar a “estupidez” de algumas atletas, podemos ir facilmente à fase final.
As juvenis ficaram em quarto lugar no regional, e vão ao nacional com esperanças legítimas de chegar à fase final, embora tenham um grupo muito forte. Se forem à intermédia, acredito que podem chegar lá.
Como já disse, as iniciadas não vão ao nacional, mas cumpriram aquilo que tínhamos delineado para esta época.
As infantis conseguiram apurar-se para o nacional, mas vão ter agora bastantes dificuldades, porque existem equipas muito fortes nesta fase.
Os infantis masculinos estiveram em grande, perdendo apenas um jogo até ao momento, e acredito que chegarão à fase final.
Outro trabalho que estamos a fazer, e de grande importância, é o mini voleibol, onde temos já mais de quarenta atletas. É aqui que assenta o futuro da secção, e os resultados são extremamente positivos, até ao momento. Estamos a tentar garantir que exista uma nova geração para preencher os vários escalões nos próximos anos.

Os problemas internos

Q.L. – Mas nem tudo são rosas… há coisas que continuam a não funcionar…
J.B. –
No ano passado, depois da entrevista ao vosso jornal, e depois da vitória das iniciadas, e do fantástico torneio europeu da Lousã, as pessoas abriram um bocado os olhos em relação ao valor do voleibol. No entanto, chegamos a esta altura e sinto-me profundamente desiludido porque não estão a cumprir aquilo que me prometeram. Talvez o tenham feito para eu não me ir embora, mas eu acreditei neles, e começo a achar que as minhas ideias chocam com as das outras pessoas deste clube. Por isso, disse ao meu director, e felizmente tenho este ano alguém que luta pelo voleibol e está sempre presente, ao contrário dos directores anteriores, que me sinto cansado de lutar por ideias que não são apoiadas. Gostava de ter um clube unido, independentemente das modalidades, mas é muito difícil. Cada um puxa a brasa à sua sardinha, e, infelizmente, tenho que começar a fazer o mesmo. O voleibol não tem o apoio que merece dentro do clube.

Q.L. – Mas há rivalidade entre as diversas secções?
J.B. –
Eu dou-me bem com todos os treinadores e coordenadores de todas as secções…

Q.L. – Mas então qual é o problema? A falta de atenção dada ao voleibol?
J.B. –
Eu tenho pena de o dizer, mas de facto acho que não é dispensada a mesma atenção a todas as modalidades, e o voleibol, apesar de ter fantásticos resultados, não tem o tratamento que merece dentro do clube. Acho que qualquer secção gostaria de ter os mesmos resultados que nós.
As ideias foram traçadas, definiu-se que as secções iriam ter a mesma atenção, mas isso continua a não acontecer. Mesmo assim, eu continuo a trabalhar para que não falte nada ás minhas atletas, e para que se sintam aqui como se fossemos uma segunda família, formando assim atletas e, acima de tudo, homens e mulheres.

A questão financeira

Q.L. – Qual o peso da questão financeira nessas divergências?
J.B. –
É claro que o dinheiro é sempre um problema, ou a falta dele, é claro. Mas não é o único, porque as ideias também parecem não ser as mesmas. Quando temos uma final regional de juniores e na bancada só está um de dez directores do clube, isso não é nada positivo. Eu começo a perceber que as pessoas vêm para o clube para aparecer na “fotografia”, para se promoverem, e não para ajudarem as suas secções, e o clube em geral.
Mas é claro que a distribuição do dinheiro continua a não ser justa. Quando preciso de algo, explicam-me que existe uma dívida que está a ser paga, e que o dinheiro não abunda, mas a verdade é que estou aqui há dezoito anos, não criei dívida alguma, e penso que os responsáveis por essa situação é que devem ser punidos. Os fundos que temos vêm maioritariamente dos pais, mas é claro que não chega. Temos agora os nacionais, que implicam várias deslocações longas, e a minha preocupação é arranjar dinheiro para proporcionar a todos os atletas as condições mínimas, porque merecem. Tenho que procurar o dinheiro fora do clube, porque aqui, com a estrutura que está montada, não tenho qualquer hipótese. A secção continua a governar-se a si própria.
Eu entendo os problemas do clube, mas é estranho que para além do dinheiro, não tenhamos outro tipo de apoio por parte dos directores. Começo a achar que não gostam é das minhas ideias. Espero é que aqueles que agora não aparecem, não venham depois quando atingirmos alguma final, para aparecer nas fotografias.

Q.L. – Mas mudou alguma coisa desde a nossa conversa em Julho do ano passado?
J.B. –
Se mudou, foi para pior. Este ano só o meu director concorda com as minhas ideias, e trabalha comigo. Em termos de direcção foram feitas muitas promessas, mas nenhumas foram cumpridas.

O futuro no clube


Q.L. – E em termos pessoais, como vê o futuro?
J.B. –
Eu tinha convites e decidi continuar pelas atletas, e pelas promessas que me foram feitas. Neste momento, só posso pensar num futuro a curto prazo, ou seja, até ao final da época. Depois, só continuarei se a conversa séria que tenho que ter com a direcção, for produtiva.

Q.L. – E de que depende essa continuidade?
J.B. –
Apenas do facto de deixarem trabalhar quem quer trabalhar. E se os outros não quiserem trabalhar, pelo menos que não estorvem. Mas neste momento tenho ainda muitas competições para disputar, e quero levar estas equipas ao máximo possível. Sobre o futuro, logo se verá…

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